Um jantar de arrepiar
No Dia das Bruxas, a Bárbara e o Bruno puseram-se, com uma faca, a esvaziar as abóboras e a cortar nelas bocas enormes, olhos redondos. Deixaram a cozinha numa lástima e correram à procura de velas para acabarem o trabalho.
– Ai, meninos, pelo menos limpem o que sujaram – resmungou a avó Maria.
Lá dentro, a Bárbara enfiou o vestido negro de bruxa e o chapéu pontiagudo que fizera no fim de semana, enquanto o Bruno, que nada preparara, arrancou um lençol da cama para se mascarar de fantasma.
Antes de saírem, soltaram dois gritos horrendos, capazes de porem um morto a fugir a sete pés.
– Ai, meninos – continuou a avó –, no meu tempo não havia nada disto...
"Pudera, tudo muda", pensaram os netos, e lá foram com as abóboras debaixo dos braços para participarem no concurso que ia haver na escola. Entre esqueletos, vampiros mais um nunca acabar de bruxas, bruxinhas, fantasmas, era difícil escolher o mais original. Mas o principal era divertirem-se e dançarem no desfile de figuras medonhas. [...]
Quando regressaram, ao fim da tarde, vinham exaustos e cheios de fome.
– Avó, não há nada que se coma? Temos a fome de um ogre...
Para espanto deles, a senhora não rabujou. Ligeira, sorridente, foi buscar o jantar.
– Ai! – gritou o Bruno.
– Que horror! – exclamou a Bárbara.
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